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11 de outubro – Dia Mundial das Pessoas com Deficiência Física

Quando encontramos pessoas que passam o que passamos, podemos minimizar o que passaremos juntos

 

Os primeiros anos 

Quando nasce uma criança fora dos padrões da “normalidade”, preconizados pela sociedade, todos os valores se tornam relativos para a família. Ou, quando alguém sofre um acidente que transformará o seu futuro, os seus sonhos têm que ser reprogramados.

A experiência demonstra que a grande maioria dos casais com filhos com deficiência (os rótulos sempre deixarão a desejar, já carregando em si a discriminação) passa por crises emocionais comuns a todos: tristeza, frustração, angústia, culpa, impotência, revolta, raiva, desespero, pensamentos mórbidos, depressão, um turbilhão imensurável de sensações devastadoras. Mas, sobretudo, tomam contato com o despreparo. Ninguém se capacita para o imponderável, quando este será por demais cruel. Todos criam grandes sonhos de perfeição. Passado o primeiro impacto, vem os sentimentos de desânimo, prostração, desesperança e de uma resignação revoltada. A psicologia poderia explicar que esses distúrbios emocionais têm a função de reequilibrar os estados psíquicos mínimos necessários para a aceitação plena da nova condição inesperada.

Uma nova realidade

O mesmo se dá com pessoas que sofrem acidentes que os deixam impossibilitados de manter a mesma rotina produtiva de antes. O trauma para si e para a família é inevitável e os processos de reabilitação serão sempre sofridos na medida da maior ou menor dependência, sensibilidade, competência e qualidade daqueles que darão suporte a esse indivíduo.

Com o passar dos anos, há um apaziguamento tenso e a esperança substitui a desilusão. Muitos se amparam na fé, outros na ciência, no trabalho, e se conformarão a uma nova vida de luta diária e interminável para que aquela pessoa dependente se torne cada vez mais feliz dentro dos seus limites e adapte-se a buscar autonomias.

O que é primordial

Aí, entra o afeto. Este será fundamental para que a travessia aconteça mais serenamente, e haverá sempre muitos momentos alegres.
O amor e o respeito entre todos os que convivem com pessoas com necessidades incomuns (hoje, denominados oficialmente PCD – pessoas com deficiência) é primordial. Eles ajudarão a enfrentar com dignidade o preconceito, as teses mirabolantes, a ignorância, o desamparo das políticas públicas, a demagogia, o desprezo e a natural hipocrisia que virão.

Em meio a tudo, descobrimos em nós potencialidades até então veladas, aflorando a consciência de como a força interior é imensa e o quanto há resiliência frente às agruras da vida.

A partir daí, já temos a absoluta certeza de que nunca mais deixaremos de precisar da ajuda dos outros. A arrogância, a prepotência e o egoísmo ficarão no passado. Uma nova vida se mostrará e, desta forma, descobriremos a relatividade em todos os seus aspectos. Conheceremos a hipocrisia humana em todos os níveis. Mas nos tornaremos mais resignados e menos ansiosos. E aprimoraremos a consciência de que viveremos para o outro a maior parte das nossas vidas. Entrega, renúncia, despojamento, altruísmo, gratidão passarão a ocupar papel de mais destaque no nosso dicionário. A nossa realização pessoal ficará em segundo plano, ou passará a se confundir com os avanços, por menor que sejam, dos seres que amamos e tanto dependem de nós. Nem todos terão essa conscientização bem resolvida. Mas sempre há soluções inteligentes para encontrarmos um equilíbrio saudável e de bom senso. Sempre com afeto.

Conhecendo os benefícios a que temos direito

Toda família precisa de suporte permanentemente. Aquelas que incluem PCDs mais ainda. Psicólogos, fisioterapeutas, pediatras, psiquiatras, educadores… um batalhão de especialistas entrará na rotina dessas famílias. O dia a dia será cada vez mais permeado desses profissionais, de acordo com o grau de comprometimento dos insersivos.

Na maioria dos casos crônicos ou traumáticos, os familiares adoecem junto e não superarão as agruras cotidianas sem muita ajuda especializada. Quando há dificuldades financeiras, então, os problemas se agravam. Embora muitos desconheçam, há uma série de entidades públicas, instituições idôneas oficiais e do terceiro setor que promovem programas gratuitos de auxílio a essas famílias.

 

Como será o nosso futuro?

Estudos demonstram que, por volta de 2050, o Brasil terá mais de 30% de idosos. Pessoas nascidas com distorções genéticas, ou limitações em acidentes ou enfermidades adquiridas, comporão 25% dos habitantes do país.
Ou seja, apenas 45% da população ativa produzirão plenamente no mercado econômico e darão o suporte de vida para os restantes 55%. As políticas públicas já se mobilizam para enfrentar esse dilema. Isso norteia educadores a incutirem nos jovens a consciência de que serão protagonistas de uma nova ordem social com novos valores.

Quais serão os valores sociais desses protagonistas do futuro?

A atitude dos jovens pode ser aprimorada com exemplos cotidianos voltados para o fazer solidário, como ler, ver filmes, ouvir música, etc. Mas o fazer coletivo sempre será mais enriquecedor. Lembrando que, obviamente, os inclusivos têm mais dificuldades de realizar tarefas simples, portanto, merecem mais atenção e respeito.  O custo social é maior.

 

Invertendo os papeis

A tendência é que o enfoque quanto à inclusão seja revisto. Tudo o que se fez até agora foi tentar “incluir” o “deficiente” na sociedade. Para começar, o termo “deficiente” foi substituído por “pessoa com deficiência”. São pequenos detalhes, mas que fazem a diferença na construção da dignidade da pessoa fragilizada. A sociedade deverá ser educada a ser solidária o tempo todo, principalmente com os que mais necessitam. Isso é um aspecto cultural, sem grandes questionamentos ou favores. Os grupos devem ser estimulados a acolherem todos que chegam com carinho e respeito de forma natural. A raiz do preconceito está na própria educação familiar dos ditos “normais”. Isso vem de muito longe, portanto somos todos vítimas.

Dignidade, cordialidade, solidariedade são palavras que, investidas de verdade, farão toda diferença. Assim como fé, espiritualidade, religiosidade e tantas outras palavras desgastadas pelo uso, que podem ser ressignificadas o tempo todo nessa caminhada, para que deixem apenas de ilustrar “grandes” intenções solidárias.

Colocar-se no lugar do outro é um ótimo exercício de aceitação.

Quais serão os valores da família?

A sociedade precisa aprender a cuidar mais uns dos outros. Um grande motivo de preocupação para todos é a violência, independentemente de condição social, gênero, credo, orientação sexual, capacidade intelectual ou financeira da família. Essa preocupação se torna inúmeras vezes potencializada para pais de filhos PCD’s. Principalmente daqueles com comprometimento intelectual de que serão dependentes o tempo todo, a vida toda.

Onde encontrar direitos e apoios?

Pedir ajuda deixa de ser humilhante. Isto só demonstrará a sinceridade do quanto é difícil a rotina de uma pessoa com necessidades incomuns e de seus cuidadores. A informação é a maior arma que todos podem ter para combater o preconceito e as limitações que a vida impõe. Nesse caso, é importante que a informação venha antes da experiência, pois a experiência é sofrida, e o desgaste pode ser minimizado com informação de qualidade. Todos têm direitos reconhecidos por Lei. É preciso conhecer e divulgá-los cada vez mais. É fundamental que a literatura a respeito seja cada vez mais compartilhada.

Por onde começar?

Buscar incansavelmente dicas importantes para auxiliar no trabalho árduo da busca de dignidade para os nossos entes queridos que necessitem de assistência. Buscar informação de fontes confiáveis e divulgar mais. Quando encontramos pessoas que passam o que passamos, podemos minimizar o que passaremos juntos. Compartilhando acalanto a força coletiva se potencializa para não esmorecer.  O começo é simples, sempre está à mão.

 

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