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Chegou a hora de (saber como) mudar

Segundo estudo da IBM e do Human Capital Institute (HCI), que ouviu quase 2 mil pessoas em todo o mundo, 84% das organizações se importam com a gestão de talentos, mas poucas se dedicam à questão – apenas 42% dos gestores afirmaram ter tempo para a gestão de pessoas. As que se importam, ainda de acordo com o estudo, apresentam melhor desempenho financeiro. O setor público é quem engrossa o número dos que não praticam a gestão devida.

 

Se considerarmos que o funcionalismo estatal é visivelmente ineficiente, a falta de gestão de talentos apresentada no setor não é novidade. Também não é novo dizer que crescem mais as empresas que se dedicam a integrar os seus talentos. Se lembrarmos que para a gestão, qualquer que seja, é necessário mudança, enxergaremos alguma luz. O dado não só explica o abismo entre equipamentos públicos e privados – repartições públicas geralmente têm calafrios com a palavra “mudança” –, como também indica a diferença entre empresas que fracassam e organizações que evoluem. 

 

Há mais números. A IBM e o HCI descobriram que 40% das organizações consideram difícil a aplicação de estratégias de Recursos Humanos. A maior queixa, 64%, é o direcionamento eficiente dos colaboradores. Apesar do alerta, a constatação da pesquisa não é novidade. Não há fórmulas mágicas, mas em todos esses anos ao lado de empresas que dizem muito mais do que os números, direcionar talentos exige algo fundamental: a gestão de mudança. O caro leitor perguntará: “o que é, afinal, a gestão de mudança?”. Eu respondo: Se pautada nos recursos humanos, é o desenvolvimento que requer transformação e conhecimento para fazer a empresa acontecer. Manipular mudança é promover transformação, mas para transformar é preciso transformar-se. Costumo apresentar estágios para esse processo, mas lembre-se: não é possível segui-los sem compreender que estar em mudança corresponde a um estado de trânsito, premissa por toda a vida de uma organização. Estamos entendidos? Vamos às fases.

 

A primeira é a “conscientização”. Responda às questões: Por que preciso mudar e quais as razões da mudança devem ser sentidas e experimentadas? Depois, verifique o “desejo” de mudança, que deriva da conscientização. A terceira fase, a do “conhecimento”, é necessária porque mudanças só existem com o levantamento das estruturas, mentalidades e estratégias para o processo de transformação. Em seguida, o estágio da “habilidade” deve ser aquele que agrupa as habilidades interpessoais, logísticas, emocionais e combinadas – os profissionais específicos envolvidos e integrados ao processo. Por fim, o “reforço”, afinal, repetir é renovar a esclarecida e experimentada necessidade de mudar. Não é fórmula mágica, mas é bom caminho para lidar com outros números. Ao ouvir 1130 CEOs de 40 países, a mesma IBM descobriu que as empresas devem ser famintas por mudança devido às novas realidades do mercado. A maioria faz a mesma reclamação anterior: falta de habilidades para lidar com o processo.

 

Pode parecer difícil, mas é simples. Ultrapasse as etapas da mudança que mencionei, mas não pare por aí. Adote a estratégia de identificar quem são, como são e o que querem ser as pessoas que erguem o cotidiano da empresa. Lembre-se: “o bater de asas de uma simples borboleta talvez possa provocar um tufão do outro lado do mundo”. O que significa? As explicações mais lógicas e desgastadas podem dar espaço para a análise de questões mais cruciais, como o comportamento dos colaboradores. Além disso, as resistências da organização e das pessoas, pelas quais toda mudança se depara, podem gerar “boas” crises. A reclamação com a dificuldade de lidar com os processos de mudança, que a IBM verificou no mundo todo, é a dificuldade em lidar com a crise que a mudança gera. Não tenha medo. Mudanças e crises de mudança oferecem diversas possibilidades de reinvenção, de inovação e de ganhos em saltos, às vezes surpreendentes.

 

Reinaldo Passadori
Presidente e fundador do  Instituto Passadori, especialista em comunicação verbal e comunicação focada em gestão de pessoas/recursos humanos. É autor do livro Comunicação Essencial – Estratégias Eficazes para Encantar seus Ouvintes - Editora Gente.

 

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